Procurado por produtores interessados em plantar café em Mato Grosso do Sul, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MS) está estruturando uma assistência técnica para orientar o produtor sobre as melhores técnicas de produção, entender o planejamento da cafeicultura e preparar mão de obra para a atividade. A informação está no podcast Agro de Primeira MS desta semana com o superintendente do Senar/MS, Lucas Galvan.
“A cafeicultura sempre foi desenvolvida em regiões de altitudes mais elevadas, de morros. E nos últimos anos, a pesquisa evoluiu muito por café do Cerrado. Rondônia é um exemplo aos e tornar grande polo produtor. E nós temos recebido demandas de empresários que querem investir em Mato Grosso do Sul no setor de café. Então, o Senar, juntamente com a Famasul, está nos mostrando que existe essa possibilidade. É mais uma alternativa de renda para o produtor e de emprego para o trabalhador”, afirma.
Um relatório técnico publicado em fevereiro pelo Sistema Famasul, do qual faz parte o Senar, afirma que “a cafeicultura possui elevada relevância econômica e social no cenário agropecuário brasileiro, posicionando o Brasil como o maior produtor e exportador mundial de café. A dinâmica nacional da cultura tem sido marcada, nos últimos anos, por estabilidade da área plantada associada a expressivos ganhos de produtividade, decorrentes de avanços tecnológicos, renovação de lavouras e reorganização regional da produção. No entanto, essa trajetória não se reproduz de forma homogênea em todos os estados da federação, especialmente no Mato Grosso do Sul, onde a cultura do café apresenta baixa
expressão territorial e econômica.
Em 10 anos, de 2014 a 2024, a redução na área plantada de café no estado é de 85,6%. Passou de 1.108 para 159 hectares.
Os técnicos concluem que “enquanto o Brasil avança na modernização e no aumento da eficiência produtiva do café, o Mato Grosso do Sul mantém a cultura em patamar secundário, refletindo escolhas
produtivas alinhadas a atividades com maior competitividade econômica, cadeia estruturada e logística no estado.”
“Mato Grosso do Sul, como diz o nosso hino, é um celeiro de farturas, nós temos muitas oportunidades e a cafeicultura se mostra como uma próxima vertente de desenvolvimento”, conclui Galvan.
Além do café, a citricultura terá atenção especial do Senar neste ano. O principal produtor de laranja do país, São Paulo, enfrenta perdas por causa de doenças. E Mato Grosso do Sul passou a ser procurado por produtores.
O estado já conta com 30.000 hectares destinados ao plantio da fruta. E, segundo o governo do estado, quando chegar a 50.000 vai atrair indústrias para processamento e fabricação de sucos, agregando valor ao produto.
“Nós estamos vendo grande potencial na área de citricultura e uma necessidade gigante de mão de obra, principalmente na colheita. Então, nós precisamos preparar a população de Mato Grosso do Sul ou quem queira trabalhar nesse segmento para aproveitar as oportunidades que o setor está dando aqui no estado”, disse.
Formação profissional e promoção social sempre foram o objetivo principal do serviço. No ano passado, cerca de 65.000 pessoas foram capacitadas em cursos como manejo de pastagem, confecção de tralhas e arreios, manutenção de máquinas e equipamentos, confecção, produção de alimentos e artesanato.
Há seis anos, o Senar entrou na formação técnica
“Temos exemplos de frentistas, advogados, jornalistas que querem ou conhecer mais o agro ou mudar de profissão através do curso técnico. São dois anos, curso gratuito. Muita gente saiu de um salário mínimo para ganhar cinco, seis mil reais”, afirma Galvan.
Em 2025, 1240 alunos se formaram nos sete cursos técnicos oferecidos pela instituição.
Em abril, novas inscrições serão abertas. O Senar garante que 80% dos alunos saem empregados ao final dos cursos.
Os sindicatos rurais das cidades de Mato Grosso do Sul são a porta de entrada para os serviços oferecidos pelo Senar e, muitas vezes, as salas de aula para os cursos. São eles que fazem a triagem das demandas tanto na educação quanto na assistência técnica. Em Campo Grande, a sede da Embrapa Gado de Corte abriga o Centro de Excelência, onde há cursos de pecuária de corte, fruticultura, de floresta plantada e a novidade de 2026, um curso de segurança no trabalho voltado para o campo.
Lucas Galvan também falou do trabalho da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), uma espécie de consultoria para o produtor rural. Ela leva cerca de dois anos para implantação em etapas que incluem diagnóstico da propriedade, situação familiar, vocação da região onde o produtor está inserido, projeto de investimento de melhorias e monitoramento.

Mais uma vez, tudo de graça.
“Temos produtores que começam com 30, 40 litros de leite e, ao final, está com 200 litros de leite, que fez uma agroindústria. O lema do Senar é mudar vidas. E a gente acredita nisso”.
Em 2025, 10.639 propriedades foram atendidas e 86.880 visitas realizadas no estado. Para atender a toda essa demanda, o Senar, além dos técnicos que fazem parte do quadro de funcionários fixo, também contrata consultores como pessoas jurídicas para o serviços.
Mais informações sobre cadastramento de profissionais interessados, sobre os atendimentos e cursos de capacitação ou técnicos, clique aqui.
O bate-papo com Lucas Galvan que inclui ainda temas como sucessão familiar, conflito de gerações e tecnologia no agro, ESG e preparo para a agroindustrialização em Mato Grosso do Sul, pode ser visto na íntegra nos canais do podcast Agro de Primeira no YouTube e Spotify.