Mais uma vez influenciado pela valorização do petróleo, o açúcar registrou forte alta na bolsa de Nova York. Os contratos do demerara para maio subiram 3,48%, a 14,59 centavos de dólar a libra-peso.
O petróleo abriu a segunda com preços em forte alta. O barril chegou a uma máxima de R$ 117 reagindo aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Esse movimento favoreceu a alta do açúçar. No fim do dia, o petróleo voltou a ser cotado abaixo dos US$ 80, mas a precificação para o adoçante já estava dada.
“A forte alta do petróleo impacta o índice geral de commodities, e por isso ele influencia os demais ativos agrícolas. Enquanto o petróleo continuar subindo, o açúcar deve seguir nessa mesma tendência”, destaca Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado.
“Algumas estimativas internacionais apontam que o barril do petróleo pode chegar a R$ 120, e, se ele alcançar esse patamar, o açúcar pode chegar até 17 cents”, projeta.
Ainda de acordo com o analista, o açúcar poderia subir ainda mais no curto prazo, a partir da lógica que a alta do petróleo deixa a gasolina mais cara no Brasil, e pode mudar a estratégia das usinas no país, que diante desse contexto podem reduzir a quantidade de cana destinada à produção de açúcar. Mas isso não deve acontecer agora.
“A Petrobras disse que ia esperar duas semanas para fazer o reajuste de preços no Brasil, e estamos entrando agora no primeiro dia da segunda semana da guerra. Além disso, esse repasse não será feito na mesma proporção de alta no petróleo nesse período”, diz.
Todo o imbróglio envolvendo a guerra que levou a disparada nos preços do petróleo mudou a dinâmica das cotações em Nova York, que estavam em tendência de queda na bolsa, lembrou o analista da Safras.
“Estamos vendo uma reviravolta nas cotações, que só estão subindo pelas altas do petróleo. Os preços vinham em baixa devido às projeções de superávit global em 2025/26, estimado em 11 milhões de toneladas pelo USDA [Departamento de Agricultura dos EUA]. A tendência é que a próxima estimativa, que será divulgada em maio, reduza esse volume para 10 milhões de toneladas. Apesar do corte, ainda é uma quantidade expressiva”, observa.
Por fim, Muruci acrescenta que passada a instabilidade no mercado global do petróleo, o açúcar pode sofrer um novo tombo nas cotações.
“Se a guerra cessar e os valores do petróleo voltarem a patamares ‘normais’, o açúcar começa a despencar até mais rápido do que está subindo agora. Isso porque as usinas que já estavam com vendas travadas vão voltar a fazer hedge por conta de preços mais altos desse momento. Pode ser que o preço volte a ser abaixo dos 13 centavos”, finaliza.
Cacau
Na bolsa de Nova York, o preço do cacau deu continuidade às movimentações técnicas observadas na semana passada, quando os futuros avançaram quase 6% com o reposicionamento dos investidores. Na sessão de hoje, os lotes da amêndoa para maio avançaram 1,83%, a US$ 3.289 a tonelada.
Café
O preço do café fechou a sessão na bolsa de Nova York com preços em alta. Os lotes do arábica para maio subiram 1,23%, a US$ 2,9690 a libra-peso.
Suco de laranja
Em dia de ajustes, o suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) fechou a sessão em alta. Os lotes para maio avançaram 0,31%, a US$ 1,8080 a libra-peso. Na pregão da última sexta (6), o suco teve baixa de quase 5%.
Algodão
Nos negócios do algodão na bolsa americana, os lotes para maio registraram alta de 0,65%, cotados a 64,62 centavos de dólar por libra-peso.