Seja Bem Vindo - 11/03/2026 02:24

Alta do diesel pode impactar frete, produção e preço dos alimentos em MT

O aumento recente no preço do diesel já começa a preocupar o setor produtivo em Mato Grosso. Nas últimas duas semanas, o combustível registrou alta de cerca de R$ 1 por litro, enquanto a gasolina também subiu aproximadamente R$ 0,60. O movimento acompanha a instabilidade no mercado internacional de petróleo em meio às tensões no Oriente Médio e já levanta dúvidas sobre possíveis impactos na economia e no bolso do consumidor.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT), Claudyson Martins Alves, conhecido como Kaká, parte desse aumento está ligada à dependência do diesel importado e também a movimentos de especulação no mercado.

Alta do diesel pode impactar frete, produção e preço dos alimentos em MT. -Foto: FIEMT

Segundo ele, cerca de 27% do diesel consumido no Brasil é importado, o que faz com que oscilações no preço do barril de petróleo tenham reflexo rápido no mercado interno.

“A especulação foi muito rápida nesse primeiro momento. Cerca de 27% do nosso diesel é importado. Os outros 73% são produção nacional. Esses não têm alteração imediata, mas as trades e distribuidoras acabaram aumentando os preços muito rápido com a alta do barril”, explicou.

Apesar da alta recente, a expectativa do setor é que o mercado possa se estabilizar nos próximos dias. “Acredito que nos próximos dias esse preço deve baixar um pouco, deve dar uma diminuída”, afirmou.

Diesel é peça-chave para o agro

No Brasil, o agronegócio depende diretamente do diesel. É esse combustível que move tratores, colheitadeiras e caminhões responsáveis pelo transporte da produção.

Em Mato Grosso, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, qualquer oscilação no preço do petróleo acende um sinal de alerta na economia.

Um exemplo dessa relação está no milho. O Irã se tornou um dos principais compradores do produto brasileiro. Só em 2025, o país importou cerca de 9 milhões de toneladas, o que representa mais de 22% das exportações brasileiras do grão.

Milho
Alta do diesel pode impactar produção em Mato Grosso.-Foto: gerada com IA

O presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Sílvio Rangel, explica que crises internacionais, como guerras ou problemas na circulação de petróleo no mundo, podem gerar impactos diretos na economia local.

“Essa crise, através da guerra, impacta bastante. Impacta toda a economia mundial, brasileira e também Mato Grosso. Temos um grande impacto na logística do estado, seja na compra de insumos que vêm de fora para as indústrias e para o agro, como fertilizantes”, afirmou.

Segundo ele, o transporte rodoviário ainda é a principal forma de movimentação de cargas no estado. “A maioria dos produtos ainda vem por transporte rodoviário. Temos a ferrovia, mas grande parte da logística ainda depende de caminhões. Isso também impacta os produtos que levamos para outros estados e para exportação”, explicou.

Biocombustíveis ajudam, mas não evitam impacto

Apesar da preocupação com o diesel, o Brasil possui uma vantagem em relação a outros países: a matriz energética com forte presença de biocombustíveis.

Mato Grosso, por exemplo, lidera a produção nacional de biodiesel e é o segundo maior produtor de etanol do país. Mesmo assim, segundo Rangel, o diesel continua sendo essencial para o transporte e a logística da produção.

Postos de combustivel
Alta do diesel pode impactar produção em Mato Grosso. -Foto: Reprodução

“O frete e a logística impactam diretamente na produção, seja agrícola ou industrial. Quando o combustível sobe, os custos aumentam e isso acaba refletindo no preço final dos produtos”, disse.

Para especialistas, o reflexo dessa instabilidade internacional pode chegar rapidamente ao dia a dia da população. O consultor financeiro Giancarllo Vasconcelos explica que o aumento no custo dos combustíveis tende a encarecer toda a cadeia produtiva.

“Isso vai acabar sendo refletido nas bombas de combustível, por exemplo, nos fretes do próprio escoamento da nossa produção e no custo da produção do agronegócio, como a soja e o milho. Tudo isso encarece a matéria-prima e esse custo acaba sendo repassado, seja com redução de margem ou diretamente ao consumidor”, explicou.

Na prática, isso significa que a alta do diesel pode pressionar o preço de diversos produtos, principalmente alimentos.

Corrida aos postos

O medo de novos aumentos também fez muita gente antecipar o abastecimento. Segundo o presidente do Sindipetróleo, em alguns locais houve aumento repentino da demanda por diesel.

“Uma distribuidora que vende 100 metros cúbicos por dia, por exemplo, de repente passa a vender 300 porque todo mundo quer estocar combustível. Automaticamente parece que falta produto”, explicou.

De acordo com ele, essa situação tende a se normalizar quando a procura diminui. “Como muita gente já estocou combustível, a tendência agora é que o mercado se equilibre novamente”, disse.

Economia de Mato Grosso em alerta

Mato Grosso tem um papel estratégico na produção de alimentos e nas exportações brasileiras. Por isso, qualquer instabilidade no mercado internacional de petróleo pode gerar reflexos que vão além do comércio exterior.

Para o presidente da Fiemt, o cenário exige atenção e planejamento. “A guerra impacta vidas e também a economia mundial. Precisamos acompanhar os dados e entender essas mudanças para criar estratégias e reduzir os impactos para o estado”, concluiu.

Enquanto o cenário internacional segue incerto, a preocupação agora é entender até que ponto a alta do combustível pode chegar ao transporte, à produção e, principalmente, ao preço dos alimentos no supermercado.

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