Após a publicação de nossa reportagem sobre a paralisação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Teles Pires e as graves acusações que pairam sobre a concessionária, a Águas de Sinop rompeu o silêncio. Em nota enviada à imprensa – um contraponto à ausência de resposta aos nossos questionamentos anteriores –, a empresa afirma que a ETE está em “operação assistida” desde dezembro de 2025. A declaração, no entanto, ignora os pontos mais críticos da controvérsia: a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e a suspeita de que a inauguração oficial aguarda uma janela na agenda política do governador.
A Versão da Empresa: Operação em Andamento e Metas de Cobertura
Em seu comunicado, a Águas de Sinop afirma que “todo o esgoto recebido na unidade já está sendo tratado e devolvido ao meio ambiente em conformidade com as normas legais e ambientais vigentes”. A empresa enquadra a construção da ETE como parte de um grande investimento em saneamento, que, segundo a nota, consolidou Sinop como a cidade que mais investiu no setor em Mato Grosso no ano de 2025.
A concessionária também apresenta dados sobre a expansão da rede, declarando que a cobertura de esgoto evoluiu de 30% em 2024 para 40% em 2025, com a meta de alcançar 50% da população até o final de 2026. A nota termina reforçando que a atuação da empresa é “pautada em critérios técnicos, ambientais e regulatórios”.
O Que a Nota Não Diz: As Perguntas que Continuam no Ar
A resposta da Águas de Sinop, embora traga uma nova informação sobre a “operação assistida”, é notavelmente seletiva e falha em endereçar as preocupações centrais que motivaram a desconfiança pública e a ação do legislativo municipal. O comunicado deixa uma série de lacunas e perguntas sem resposta:
| Ponto Ignorado | Questionamento Pendente |
|---|---|
| Atraso na Inauguração Oficial | Se a estação já opera desde dezembro de 2025, por que ainda não foi oficialmente inaugurada? A informação de que a obra aguarda a agenda do governador Mauro Mendes, em meio à sua pré-campanha para o Senado, não é contestada nem esclarecida. |
| A CPI da Câmara Municipal | A nota ignora completamente a existência de uma CPI aprovada por unanimidade pelos 15 vereadores para investigar a empresa. |
| Denúncias no IBAMA e SEMA | O comunicado também não aborda as denúncias formais de crimes ambientais protocoladas por vereadores junto aos órgãos de fiscalização, que apontam para a contaminação de solo e rios por vazamento de esgoto. |
| Reclamações da População | A defesa genérica de atuação pautada em “critérios técnicos” não responde às queixas concretas e diárias da população sobre asfalto de péssima qualidade, valores considerados abusivos nas contas e a falta de planejamento na execução das obras. |
O termo “operação assistida” é, por si só, ambíguo. Significa que a estação opera com capacidade total ou parcial? Por que uma obra que já estaria em funcionamento ainda precisa de uma inauguração formal? O silêncio sobre a CPI e as denúncias ambientais soa como uma tentativa de dissociar a imagem da empresa dos problemas que levaram à sua mais grave crise institucional em Sinop.
Enquanto a Águas de Sinop opta por uma comunicação que exalta investimentos e metas futuras, a população e seus representantes eleitos aguardam respostas concretas sobre o presente. A manobra comunicacional não substitui a transparência e a responsabilidade que são exigidas de uma concessionária de serviço público, especialmente uma que está sob o escrutínio de uma investigação parlamentar. A cobrança por respostas claras e diretas continua.