Seja Bem Vindo - 04/02/2026 18:51

Controle de fogo será decisivo para o agro em 2026

O fogo devasta o agronegócio: reduz fertilidade do solo, destrói pastagens e plantações, causando prejuízos bilionários. As altas temperaturas matam microrganismos, diminui matéria orgânica e compacta o solo, tornando a recuperação lenta e cara, o que torna a prevenção e controle cada vez mais essencial para o setor.

Incêndios extremos expõem riscos silenciosos que afetam solo, pasto e produtividade. (Foto: Reprodução)

Em 2025, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 47.531 focos de queimada em todo o país. O Cerrado foi o bioma mais afetado, concentrando 47,9% dos registros, tendo o estado de Mato Grosso como o mais afetado, responsável por 14,5% dos casos. 

A Organização das Nações Unidas (ONU) prevê aumento de até 50% nos incêndios extremos até o fim do século, e alerta que governos e sistemas produtivos estão despreparados.

Fogo ameaça propriedades e animais em comunidade de Nova Ubiratã. (Foto: reprodução)
Fogo: especialistas apontam fatores “invisíveis” que podem mexer com produção e mercado. (Foto: reprodução)

Segundo o presidente do Comitê Nacional de Gestão de Incêndios Florestais e Bombeiros Militar de Mato Grosso, Coronel Aluísio Metelo Junior, o Brasil entra em 2026 com o maior desafio de gestão do fogo das últimas décadas.

“Em 2025, cerca de 390 milhões de hectares foram queimados no mundo. As perdas econômicas globais chegaram a US$ 224 bilhões, sendo que menos da metade desse valor estava coberta por seguros”, explicou Metelo. 

Alta do risco climático expõe surpresas que podem transformar safras e custos.(Foto: Reprodução)
Alta do risco climático expõe surpresas que podem transformar safras e custos. (Foto: Reprodução)

Ele aponta que o incêndio florestal não representa um risco apenas pela perda de lavouras, pastagens, cercas e equipamentos, mas também pelas implicações legais, ambientais e reputacionais. Deste modo, a prevenção se faz essencial.

Entre as medidas fundamentais estão:

  • Criação e manutenção de aceiros adequados ao risco local;
  • Uso criterioso e autorizado do fogo para manejo; 
  • Treinamento de equipes internas; 
  • Disponibilidade de equipamentos de combate; 
  • Acompanhamento permanente de ferramentas de monitoramento de risco.

“A prevenção deixou de ser uma recomendação técnica para se tornar uma decisão estratégica. As propriedades que atravessarão esse novo ciclo climático com menor impacto serão aquelas que investirem, em planejamento, capacitação e monitoramento”, afirmou.

Plano de Prevenção Contra Incêndios Florestais

O Plano de Prevenção Contra Incêndios Florestais (PPCIF) funciona como uma apólice operacional contra o fogo, é um instrumento técnico e estratégico essencial para minimizar riscos e organizar a resposta a incêndios, detalhando mapeamento de áreas de risco, medidas preventivas (aceiros, limpeza de material combustível), recursos disponíveis (humanos/equipamentos) e planos de contingência.

incêndios, fogo
Combate a incêndios deve se intensificar em 2026. (Foto: TV Morena)

Por meio do PPCIF são feitos o mapeamento de áreas críticas, definição de rotas de fuga, estruturação das brigadas internas e estabelecimento de protocolos claros de resposta rápida em conformidade com Lei nº 14.944/2024, visando a proteção de áreas naturais e propriedades. 

Eucalipto

Em Mato Grosso do Sul, além do Pantanal, há grande preocupação para o setor de celulose. O estado é o segundo maior do país em úmero de área plantada de floresta de eucalipto, perdendo apenas para Minas Gerais.

Para preservar as florestas, a Reflore e seus associados investem pesado em sistemas de monitoramento.

“A gente chama de Big Brother”, diz Junior Ramires, presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore-MS). “São câmeras instaladas nas florestas para monitorar a fumaça. As centrais de monitoramento de uma empresa veem a da outra. E se há emergência, quem estiver próximo, vai com força máxima para combater o incêndio”, complementa.

Junior Ramires foi entrevistado do podcast Agro de Primeira MS sobre as florestas de eucalipto e o mercado da celulose. Você pode acompanhar a íntegra aqui.

Além de investir em equipamentos, a associação também destina recursos à conscientização das pessoas.

Isso porque, diz ele, 90% dos incêndios combatidos pelo setor começam fora das florestas.

“Temos muito problema com fiação elétrica, com rompimento de cabos no meio da pastagem que espalham faíscas, mas temos respaldo da companhia de energia. Também há uma grande preocupação com bitucas de cigarro nas pistas”, afirma.

E finaliza:

“O melhor combate a incêndio é evitá-lo.”

Indicadores preocupam

No início de 2026, cerca de 25% dos municípios brasileiros enfrentam ondas de calor com temperaturas até 5°C acima da média, elevando o Índice de Perigo de Fogo ao maior nível desde 2021. 

Como resultado, a área queimada cresceu 17% em relação ao período anterior, com o Pantanal registrando aumento de 330%. O fenômeno El Niño pode piorar a situação, prolongando a seca e intensificando as temperaturas, o que afeta a produção agropecuária.

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