Mais de 20 navios carregados com cerca de um milhão de toneladas de fertilizantes estão parados no Estreito de Ormuz. A informação é do Nikkei Ásia. O local, importante via de tráfego de mercadorias, está fechado por causa da guerra no Oriente Médio, que coloca em lados opostos Irã, Israel e EUA.
A publicação informa, com base em dados da empresa de pesquisa Kpler, que as embarcações estão carregadas com ureia, enxofre, fosfatos, além de outros ingredientes de formulação de adubo. A hipótese é a de que, ao menos, metade dos navios teriam países asiáticos como destino.
“Enquanto as avaliações de segurança e as condições de risco não melhorarem, as empresas de transporte marítimo serão cautelosas em relação às decisões de trânsito, e a logística poderá demorar a voltar ao normal”, disse, ao Nikkei Ásia, Akiyoshi Kawashima, da Shippio, uma empresa japonesa que oferece serviços de comércio baseados na nuvem.
Leia também
Guerra no Irã gera impacto maior para fertilizantes do que conflito na Ucrânia, diz CNA
Preços de insumos preocupam mas risco de falta de fertilizantes é baixo, diz secretário
Conflito no Oriente Médio expõe dependência brasileira de fertilizantes importados
Os dados da Kpler, que a publicação cita, mostram nove navios com 463 mil toneladas de ureia, fertilizante nitrogenado do qual o Brasil também é dependente de importação; oito com 303 mil toneladas de enxofre; e outros dois com 105 mil toneladas de fosfatos. Há também uma embarcação com ureia e fosfatos e outra com fertilizantes não identificados.
Os países do Golfo são importantes fornecedores de fertilizantes baseados em gás natural ou petróleo. A produção é de 22 milhões a 30 milhões de toneladas de enxofre e de 30 milhões a 38 milhões de toneladas de ureia anualmente. Mais da metade do fornecimento global de enxofre e mais de 30% da ureia passam pelo Estreito de Ormuz.
Com a escalada da guerra e a interrupção do tráfego no local, o mercado global já trabalha com a expectativa de aumento de custos de frete e de custos adicionais relacionados à segurança das embarcações. E a interrupção do fornecimento de uma região importante tende a encarecer o adubo e elevar custos de produção agrícola, com riscos à segurança alimentar.
Colocando o mercado asiático em contexto, o Nikkei Ásia menciona que 40% da ureia, 54% do enxofre e 71% da amônia são importados do Oriente Médio. Países que dependem mais diretamente dessa oferta tendem a ter um impacto direto no seu abastecimento com o insumo.
O Japão, informa a publicação, também depende de fertilizante importado, mas grande parte de sua demanda é atendida por países de fora do Oriente Médio. Ainda assim, mesmo que consiga receber o produto, a tendência é de que ele chegue mais caro para o comprador.