A pesquisa mais recente do Datafolha indica que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) se consolidou como principal nome da oposição ao presidente Lula (PT) na corrida presidencial deste ano. Segundo o levantamento, Flávio aparece mais próximo do petista nas projeções de primeiro turno e, em uma simulação de segundo turno, há empate técnico: Lula tem 46% das intenções de voto, enquanto o senador registra 43%.
Conforme divulgado pela Folha, no campo da centro-direita, o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), surge como o melhor posicionado entre os três nomes apresentados pelo partido de Gilberto Kassab. Ainda assim, ele aparece bem distante dos candidatos que lideram a disputa.
Esta é a primeira pesquisa do instituto após o ex-presidente Jair Bolsonaro lançar oficialmente o filho como pré-candidato, mesmo estando preso. No início, a iniciativa foi recebida com desconfiança, especialmente por setores do centrão que demonstravam preferência pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Apesar disso, o nome de Flávio acabou se firmando no cenário político.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e a pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-03715/2026.
Um dos sinais de fortalecimento da candidatura de Flávio aparece na intenção de voto espontânea, quando os entrevistados citam nomes sem que uma lista seja apresentada. Em dezembro, ele não havia sido mencionado; agora surge com 12%. Lula variou de 24% para 25%. O terceiro nome mais citado é o próprio Jair Bolsonaro, que está inelegível, com 3%.
O Datafolha simulou cinco cenários de primeiro turno e sete de segundo turno. Lula aparece na liderança em todos, embora sua vantagem tenha diminuído. Nas projeções iniciais, o presidente oscila entre 38% e 39%. Em um cenário considerado improvável, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como candidato do PT, ele teria 21%, enquanto Flávio alcançaria 33%. Nas disputas diretas com Lula, o senador varia entre 32% e 34%. Já Tarcísio de Freitas, também testado, aparece com 21%.
No cenário considerado mais provável atualmente, Lula registra 38% das intenções de voto, contra 32% de Flávio Bolsonaro. Ratinho Jr. aparece em seguida com 7%, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), tem 4%. Depois vêm Renan Santos (Missão), com 3%, e Aldo Rebelo (DC), com 2%. Entre os entrevistados, 11% afirmaram rejeitar todos os candidatos, e 3% disseram não saber em quem votar.
A estratégia de Gilberto Kassab de lançar três possíveis candidatos do PSD e depois escolher apenas um ainda não demonstrou força suficiente para ameaçar Flávio. Entre eles, Ratinho Jr. apresenta desempenho melhor do que os governadores Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS).
Nas simulações de segundo turno, a diferença entre Lula e Flávio diminuiu desde dezembro, quando era de 15 pontos. Agora, caiu para três pontos. Um cenário semelhante ocorre quando Ratinho Jr. aparece contra Lula no segundo turno: o presidente venceria por 45% a 41%, resultado praticamente estável.
Quanto ao perfil do eleitorado, os padrões seguem parecidos com os observados nas eleições polarizadas desde 2018. No cenário mais provável, Lula mantém apoio relativamente equilibrado entre diferentes classes sociais, com destaque para eleitores do Nordeste, católicos, pessoas com menor nível de escolaridade e renda mais baixa. Entre os que ganham até dois salários mínimos, ele alcança 42%, dentro de uma margem de erro de três pontos.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresenta maior força entre evangélicos, moradores da região Sul e também do Norte e Centro-Oeste, áreas onde seu pai teve forte apoio eleitoral. Seu melhor desempenho aparece justamente entre evangélicos: nesse grupo, que representa 28% da amostra, ele chega a 48% das intenções de voto.
A polarização também se reflete nos índices de rejeição. Lula, após quase três mandatos completos, tem 46% de entrevistados que afirmam que não votariam nele de forma alguma. Flávio, mesmo estreando em disputas nacionais, carrega o peso do sobrenome e registra rejeição de 45%.
Os dois são amplamente conhecidos pelo eleitorado: apenas 1% dos entrevistados dizem nunca ter ouvido falar de Lula, enquanto 7% afirmam não conhecer Flávio. Nesse aspecto, Ratinho Jr. apresenta números mais favoráveis: sua rejeição é de 19%, mas ainda há 38% dos eleitores que dizem não conhecê-lo.