A primeira semana de fevereiro tem sido marcada por um contraste marcante no clima. Enquanto áreas do Centro, do Sudeste e parte do Norte do país enfrentam chuva frequente e volumosa, o Sul vive uma onda de calor intensa, com destaque para o Rio Grande do Sul, onde as temperaturas se aproximam dos 40°C há vários dias.
Nesta quinta-feira, o Instituto Nacional de Metereologia (Inmet) colocou 24 Estados em alerta, além do Distrito Federal. Ao todo, são dois alertas laranjas e um amarelo para chuvas intensas que atingem o Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, e um vermelho para a onda de calor no Sul. Segundo especialistas, o cenário é resultado da atuação simultânea de sistemas típicos do verão, mas com impactos opostos conforme a região.
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Confira os alertas
🟠Alerta laranja: Perigo para chuvas intensas e ventos fortes
Período de validade: de quinta (5), às 9h, até sexta (6), às 10h
Estados afetados: Pará, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso
🟠Alerta laranja: Perigo para chuvas intensas e ventos fortes
Período de validade: de quinta (5), às 9h05, até sexta (6), às 23h59
Estados afetados: Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Espírito Santo, Tocantins, Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Roraima e Amapá
🟡 Alerta amarelo: Perigo potencial para chuvas moderadas e ventos fortes
Período de validade: de quinta (5), às 9h, até sexta (6), às 23h59
Estados afetados: Goiás, Minas Gerais, Pará, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, São Paulo, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Roraima, Amapá, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Paraíba, Pernambuco e Acre
🔴 Alerta vermelho: Grande perigo para onda de calor
Período de validade: de terça (3), à 0h01, até sexta (7), à 1h
Estados afetados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná
Onda de calor
No Sul, o comportamento do tempo segue na direção oposta, com uma massa de ar quente de origem tropical estacionada, dificultando a formação de chuva ampla e favorecendo a elevação acentuada das temperaturas.
Conforme destaca Estael Sias, meteorologista da MetSul, a onda de calor atinge seu pico no Rio Grande do Sul entre esta quinta-feira e a sexta-feira, 6 de fevereiro. Nos últimos dias, cidades do oeste e da fronteira com o Uruguai registraram temperaturas entre 37°C e 39°C, e os valores ainda sobem antes da mudança no padrão atmosférico.
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Nesta quinta-feira, grande parte do oeste, da Campanha e da fronteira com o Uruguai devem registrar máximas entre 37°C e 40°C. O calor também se intensifica em outras áreas do Estado, com temperaturas acima dos 35°C nos vales e na Grande Porto Alegre.
Na sexta-feira, pouco antes da chegada de uma frente fria, o calor atinge o auge, com máximas entre 38°C e 41°C no oeste e no noroeste, e entre 36°C e 39°C no centro do Estado, nos vales e na região metropolitana.
Temperaturas estão acima do esperado para o período no Sul
MetSul
Ainda na sexta-feira, a frente fria começa a avançar pelo extremo sul gaúcho. Segundo a MetSul, o sistema provoca chuva localizada na Metade Sul e em pontos do oeste e do leste do Estado, com possibilidade de temporais isolados em razão do calor acumulado. No sábado, 7 de fevereiro, a frente fria se desloca pelo Rio Grande do Sul e aumenta a instabilidade em mais regiões, embora a chuva seja irregular e mal distribuída, com baixos volumes na maioria das áreas.
O principal efeito do sistema será a redução das temperaturas, sem entrada de ar frio intenso. Como é comum nas frentes frias de verão, o efeito será apenas a moderação do calor. No restante do fim de semana, as temperaturas ficam mais amenas em grande parte do Estado, especialmente no sul e no leste, onde várias cidades podem ter máximas abaixo dos 30°C. No Oeste, o calor persiste, mas longe dos extremos observados ao longo da semana.
Ciclone e rio atmosférico
Uma área de baixa pressão atmosférica se organiza entre o litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, dando origem a uma frente fria associada a um ciclone extratropical sobre o oceano. De acordo com a Climatempo, trata-se de um sistema de fraca intensidade, com pouca influência sobre a temperatura no interior do Brasil, sem risco de ventos fortes ou agitação marítima significativa.
Como a atmosfera já está mais instável no Centro e no Sudeste, influenciada pela circulação de umidade vinda da Amazônia, a associação dos sistemas aumenta o risco de precipitação. Esse transporte de ar quente e úmido ocorre por meio de um rio atmosférico, reforçado por correntes de vento em baixos níveis, que alimentam nuvens carregadas e sustentam episódios de chuva forte.
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Entre terça-feira (3) e a manhã de quarta-feira (4), diversas áreas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais registraram volumes superiores a 50 milímetros. Na capital paulista, a chuva intensa provocou transbordamento de rios e novos alagamentos. Para esta quinta-feira (5), a previsão indica manutenção do tempo instável, com pancadas de chuva forte a intensa, sobretudo entre a tarde e a noite, elevando o risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos em áreas urbanas e de encosta.
Grande quantidade de ar quente e úmido geram nuvens carregadas sobre o Brasil
Climatempo
Este é o quarto episódio de formação de ciclone neste ano, o que chama a atenção dos especialistas. Para o meteorologista Celso Luis de Oliveira Filho, da Tempo OK, a situação não foge do padrão climático, mas levanta um alerta.
“No outono e no inverno, a diferença de temperatura é maior, o que faz com que os ciclones extratropicais se tornem mais intensos mesmo”, explica. Segundo ele, alguns sistemas têm se formado mais próximos da costa por perturbações atmosféricas específicas, mas dentro da variabilidade natural.
Celso também ressalta que não há consenso científico sobre um aumento claro e contínuo do número de ciclones extratropicais no verão em decorrência do aquecimento global. A maior percepção desses eventos, avalia, está ligada à ampliação da cobertura e aos impactos recentes registrados no país.