A Raízen, que produz energia renovável, açúcar e etanol e atua na distribuição de combustíveis, é a maior processadora de cana do país. Nesta safra, a empresa processou 70 milhões de toneladas de matéria-prima, o que corresponde a mais de 10% de todo o volume do Centro-Sul. Estima-se que fornecedores terceirizados, com ou sem contrato, respondam por metade desse volume — a empresa não confirma. Ao todo, a companhia tem 1,1 mil fornecedores de cana.
A percepção, porém, é de que a Raízen não tem muito tempo para prolongar as negociações. Os produtores temem que, se as conversas com os credores financeiros não evoluírem, a empresa acabe sendo empurrada para uma recuperação judicial, o que colocaria todos os seus fornecedores de cana como credores com os quais a empresa teria que renegociar.
Nas últimas semanas, a Raízen tem mantido contato com associações de produtores. Nessas conversas, a companhia vem afirmando que seu caixa, de R$ 17 bilhões, garante o pagamento de toda a cana necessária para operar na próxima safra. A empresa tem dito, além disso, que tem um plano de reduzir sua moagem de cana para um patamar mais próximo de 50 milhões de toneladas por safra e que pretende aumentar a parcela da cana que compra de fornecedores.
Também há sinais de apreensão entre as usinas de etanol que fornecem o biocombustível para o negócio de distribuição da Raízen. Uma das estratégias das usinas, apurou o Valor, é pedir prazos mais curtos de pagamento pelo etanol que fornecerem. Até então, a Raízen pagava seus fornecedores de etanol em pelo menos dez dias, mas já há casos de pagamento em sete ou mesmo três dias, relatou um usineiro de São Paulo.