A poltrona feita em Mato Grosso conquistou reconhecimento internacional ao vencer o prêmio de melhor produto de design no Créateurs Design Awards, em cerimônia realizada em Paris, na França, há poucos dias. Batizada de poltrona Ariranha, a peça foi criada pela designer e pesquisadora Maria Fernanda Paes de Barros e homenageia a tradição indígena da aldeia Kaupüna, do povo Mehinaku, no território indígena do Xingu, próximo a Gaúcha do Norte (580 km de Cuiabá). Ela é idealizadora do projeto Yankatu que, desde 2015, realiza pesquisas e desenvolvimento de ações culturais e de “design social”.
A poltrona concorreu com três criações de outros países – um aparador da França, uma luminária suspensa da Itália e um sofá dos Estados Unidos. Para Maria Fernanda, o prêmio reforça o papel do design como instrumento de transformação social. “Este prêmio significa muito. Ele reconhece não apenas a beleza e a técnica, mas o processo e o impacto de cada projeto. Mostra que não se trata apenas de criar, mas de reconhecer que nossas criações geram impactos e encontrar maneiras de tornar esses impactos positivos para todos os envolvidos no ecossistema que elas abrangem”, escreveu.
Segundo a artista, sua inspiração surgiu quando presenciou o cacique Yahati tecendo uma “máscara de ariranha”. Ele explicou a ela os materiais utilizados e o significado do artefato, empregado em rituais de cura e homenagem ao espírito da ariranha, mamífero comum na região. Com o consentimento do cacique, a ideia foi desenvolvida e a poltrona passou a incorporar uma máscara confeccionada pelo artista indígena Kawakanamu Mehinaku.
Kawakanamu, nascido em 1962, trabalha desde os 15 anos com madeira, buriti, fios de algodão e conchas de caramujo, técnicas aprendidas com seus antepassados, que procura valorizar a identidade do povo Mehinaku. Além da cestaria, atua com arte plumária, colares de concha de caramujo e esculturas de bancos em formato de animais que habitam o Xingu.
O Créateurs Design Awards é considerado um dos prêmios mais respeitados do setor criativo, reunindo mais de 300 membros votantes de 55 países. A premiação reconhece trabalhos de destaque em áreas como arquitetura, design de interiores, design de produto, fotografia, jornalismo e curadoria, valorizando não apenas a estética, mas também os processos e impactos culturais e sociais das obras.
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