Edio Luiz Chapla, presidente do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, no extremo Oeste paranaense, comenta que ainda não há falta de diesel na região, mas há dificuldades na entrega por parte das empresas transportadoras, conhecidas como TRR – Transportador-Revendedor-Retalhista. “E, em alguns postos de combustíveis, estão restringindo o volume para compra. Se eu quiser diesel, tenho que entrar na fila, com prazo médio de dois dias para entrega, e não sei o preço que vou pagar”, revela.
Chapla, que também é produtor rural, conta que a maior preocupação na região, onde a maior parte da soja já foi colhida, é o impacto nas demais cadeias produtivas como suínos, aves e peixes. Apesar de a demanda ser menor do que a das culturas agrícolas, essas atividades dependem de combustível em várias etapas de produção.
“Estamos acompanhando os desdobramentos em tempo real porque, com o conflito, a dinâmica muda a todo momento, de forma muito rápida”, salienta Luiz Eliezer Ferreira, técnico do Departamento Técnico, Econômico e Legal (DTEL) do Sistema Faep.
“Essa é uma medida que urge e que pode ajudar. Assim como a avaliação da liberação de estoques, o que pode contribuir para regular o mercado”, considera. A Federação também atuará, de acordo com o técnico, junto aos governos estadual e federal, cobrando medidas para evitar maiores impactos.
No Brasil, o transporte rodoviário responde por mais de 60% da movimentação de cargas, incluindo grãos, fertilizantes, ração e outros insumos essenciais para a produção agropecuária. O Sistema Faep reforça que, para movimentar a frota de caminhões, o país depende do mercado externo para suprir a demanda, já que 29% do diesel consumido é importado.
Ferreira enumera efeitos ainda mais intensos no Paraná, devido ao alto nível de mecanização agrícola. “Culturas como soja, milho, trigo e cana-de-açúcar utilizam máquinas movidas a diesel em praticamente todas as etapas da produção, desde o preparo do solo até a colheita. Cadeias produtivas como avicultura, suinocultura e produção de leite também dependem de fluxos logísticos contínuos, que exigem abastecimento regular de combustível”, avalia.