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Prove a cozinha vibrante do Sucinta Bar antes que comece a ter fila

CRÍTICA | SP
Sucinta Bar

Quatro estrelas (Muito bom)
R. Félix Della Rosa 86, Vila Anglo, região oeste. @sucinta.bar

O carro estava a um minuto do destino, e nada indicava que surgiria algo parecido com um restaurante naquela região de casas e ruas estreitas da Vila Anglo. Na última curva, vimos uma porta de garagem que dava para um salão simples, coberto de telha aparente e algumas mesas e cadeiras sobre cimento queimado. Havíamos chegado ao Sucinta Bar.


Abobrinha marinada com castanhas, sementes de abóbora, queijo tulha e berinjela defumada do Sucinta Bar, em São Paulo


Reprodução do Instagram @sucinta.bar

A primeira impressão é estar diante de um boteco de bairro. Mas aí você olha a brigada: totalmente feminina, algo incomum na botecagem raiz. Observa os frequentadores: franjas curtas e sapatos Dr. Martens —um autêntico reduto hipster. Finalmente, pede os pratos, feitos para compartilhar. Bastou uma bocada na porção de (R$ 39) para entender que, de fato, não estávamos num bar qualquer. Mas num daqueles achadinhos gastronômicos que vez ou outra surgem na cidade.

As receitas seguintes traziam influências de outros cantos do mundo aliadas a espertos toques brasileiros. Caso do beef tataki (R$ 49). Sobre molho ponzu com tucupi, pedaços de carne crus e macios faziam ciranda para receber o creme de batata e alice com uma gema curada ao centro. Um prato delicado, em que os ingredientes merecem ser provados separadamente e depois juntos e misturados, dando origem a um sabor totalmente novo.

Os cogumelos com tomatinhos confit no melado de cana (R$ 39) já seriam bons se chegassem sozinhos. Mas são dispostos sobre uma gostosa coalhada de tofu temperada com o toque cítrico e ligeiramente terroso do sumac (típico do Oriente Médio). Perfeito para passar no pão de fermentação natural que vem junto e ser feliz a cada mordida.

A apresentação do atum confitado (R$ 46) é um mimo. Quadradinhos do peixe selado, todos do mesmo tamanho, em fila, sobre maionese e cenoura ralada. Bonito, simples e gostoso, com ótimo pão de levain que vem junto.

O prato mais surpreendente foi o cordeiro desfiado sobre massa folhada (R$ 54). Parecia receita marroquina, só que com a presença tão marcante quanto delicada da compota de caju. O sour cream entrava com a acidez e a salada de ervas dava cor e frescor.

A banana desquite (R$ 34) fechou a experiência. Pedaços da fruta caramelada com sorvete de cumaru, chantili de doce de leite, castanha caramelizada e duas caldas: uma de chocolate e outra de amora. Não gosta de banana na sobremesa? Peça mesmo assim —o conjunto se desmancha em harmonia na boca. Destaque para o uso acertado do cumaru, cujo sabor é discreto. E para o preparo do chantili, delicadíssimo.

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Os pratos são criação da chef Dadis Vilas Boas, numa tríada de mulheres no comando que conta com a empresária Isabelle Bottini e a sommelière Andrea Vilas Boas (irmã de Dadis). A carta, aliás, tem rótulos interessantes a preços honestos. Refrescamos a noite quente com uma garrafa de Lazy Winemaker 2023 (R$ 154), um sauvignon blanc chileno.

Enquanto alguns restaurantes apostam em investimentos milionários e ruas badaladas, o Sucinta parece ter entrado na contramão. Ali, a aposta está no que é servido. É endereço para conhecer logo, antes de ter fila na porta.



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