Seja Bem Vindo - 12/03/2026 10:14

Reforma Tributária no podcast Agro de Primeira MT

A reforma tributária e seus impactos para o agronegócio são temas do episódio desta semana do podcast Agro de Primeira MT. A advogada Emília Vilela destacou que as mudanças no sistema de tributos trazem promessas de simplificação, mas também exigem adaptação e maior organização por parte dos produtores rurais.

Segundo Emília, o atual modelo tributário é considerado complexo por reunir diversos impostos e regras distintas. Já a reforma busca substituir esse sistema por um modelo considerado mais transparente, baseado principalmente na criação de dois tributos: Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Ainda assim, ela ressalta que os efeitos práticos só poderão ser avaliados com o tempo.

Assista o episódio completo:

“A gente vem de um sistema tributário altamente complexo e inseguro. A reforma vem trazendo a bandeira da simplificação, da transparência e do crescimento econômico. Mas se isso realmente vai acontecer, só o funcionamento das alterações propostas vai mostrar”, afirmou a advogada.

A especialista explica que 2026 marca o início do período de transição da reforma, considerado um “ano teste”. Nesse momento, produtores e empresas precisam começar a adaptar sistemas e processos para se adequarem às novas regras, que serão implementadas gradualmente até 2033.

Entre as mudanças imediatas está a necessidade de destacar os novos tributos nas notas fiscais. Durante essa fase teste, o produtor vai pagar uma alíquota reduzida, que combinada chega a 1% (0,9% de CBS + 0,1% de IBS).

Mudanças no enquadramento

Outro ponto central envolve o enquadramento do produtor rural no novo modelo tributário. Pela regra proposta, quem faturar até R$ 3,6 milhões por ano poderá optar entre permanecer no regime simplificado ou se tornar contribuinte dos novos impostos. A escolha, porém, pode influenciar diretamente a competitividade no mercado.

“Se ele não optar por ser contribuinte, não gera crédito tributário. E muitas empresas que se relacionam com ele vão querer esse crédito. Isso pode gerar perda de competitividade”, alertou Emília.

Além disso, a reforma também traz impactos para estruturas jurídicas bastante utilizadas no setor, como as holdings patrimoniais. A advogada explica que receitas provenientes de arrendamento ou aluguel de imóveis rurais poderão ser tributadas pela alíquota cheia dos novos impostos, o que pode exigir revisão das estratégias de planejamento patrimonial.

Apesar disso, ela ressalta que a holding continua sendo um instrumento relevante de organização patrimonial e sucessória. “A holding não foi criada apenas para eficiência tributária. Ela também serve para organizar patrimônio, estruturar a sucessão familiar e estabelecer regras de gestão”, defendeu a advogada. 

A especialista alerta ainda que a Reforma Tributária deve pesar também para o produtor que ainda executa processos na informalidade. – Foto: Marcos Vergueiro – Secom – MT

Durante o episódio, Emília também chamou atenção para a necessidade de maior profissionalização da gestão nas propriedades rurais. Segundo ela, a complexidade crescente do setor exige controle financeiro, contábil e tributário mais rigoroso.

“Um bom plantio e uma boa colheita sempre foram essenciais, mas hoje o que garante a longevidade da atividade é uma gestão organizada. O produtor que não investir em governança agora pode pagar um preço alto com prejuízo financeiro. A reforma tributária já é uma realidade e quem não se organizar vai sentir isso no bolso”, destacou.

O Agro de Primeira MT é postado no YouTube e no Spotify todas as quintas-feiras. Não deixe de se inscrever e ativar as notificações para receber os avisos não só de novos episódios, mas também de cortes dos principais momentos das entrevistas, inclusive, desta, sobre os impactos da reforma tributária no campo.

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