Seja Bem Vindo - 12/03/2026 20:14

Rodovias do agro concentram acidentes e mortes

As rodovias que sustentam o agronegócio brasileiro também estão entre as mais perigosas do país. Corredores logísticos usados diariamente para escoar milhões de toneladas de grãos, carnes e insumos agrícolas concentram grande fluxo de caminhões e registram altos índices de acidentes.

Dados divulgados pela Polícia Rodoviária Federal mostram que as rodovias federais brasileiras registraram 72.483 acidentes em 2025, com 6.044 mortes e mais de 83 mil pessoas feridas. Parte significativa desses sinistros envolve veículos de carga, que são responsáveis por cerca de 23,8% dos acidentes e quase 44% das mortes nas estradas.

72.483 acidentes em rodovias federais em 2025

6.044 mortes registradas no ano

23,8% dos acidentes envolveram veículos de carga

43,9% das mortes tiveram participação de veículos de carga

Em estados do Centro-Oeste, onde o agronegócio é a base da economia, algumas das principais rotas de transporte também aparecem entre as mais perigosas. Rodovias como a BR-163 e a BR-364, fundamentais para o escoamento da produção agrícola de Mato Grosso, estão entre as que registram grande número de acidentes no país.

Mato Grosso, maior produtor de grãos do Brasil, depende quase totalmente do transporte rodoviário para levar a produção até portos e centros consumidores. Caminhões carregados de soja, milho e algodão percorrem milhares de quilômetros todos os dias, formando longas filas nas estradas durante o período de safra.

Esse intenso movimento aumenta a pressão sobre a infraestrutura rodoviária e eleva os riscos de acidentes. Trechos com pista simples, ultrapassagens perigosas, excesso de velocidade e jornadas exaustivas de trabalho entre caminhoneiros estão entre os fatores apontados por especialistas para explicar a gravidade dos sinistros.

Rodovias perigosas

Dados da Polícia Rodoviária Federal sobre acidentes em 2024

Produção agrícola de Mato Grosso depende quase totalmente do transporte rodoviário

Fonte: Polícia Rodoviária Federal (PRF)

Acidentes em Mato Grosso

Em Mato Grosso, principal produtor de grãos do país, os números também chamam atenção. Dados da Polícia Rodoviária Federal indicam que 2.636 acidentes foram registrados nas rodovias federais que cortam o estado ao longo de 2024, deixando mais de 2,7 mil pessoas feridas e 244 mortes.

Corredores logísticos usados para escoar a produção agrícola, como a BR-163 e a BR-364, concentram boa parte das ocorrências devido ao intenso fluxo de caminhões que circula diariamente nessas estradas.

Impacto para o agro

Além das perdas econômicas causadas por interdições e danos às cargas, o impacto mais grave é humano. Motoristas, passageiros e trabalhadores do transporte rodoviário estão entre as principais vítimas das estatísticas de acidentes.

A dependência do país das rodovias para transportar mercadorias ajuda a explicar o cenário. Segundo dados da Confederação Nacional do Transporte, mais de 60% de toda a carga movimentada no Brasil é transportada por caminhões, o que torna as estradas peças fundamentais da economia nacional e também um dos ambientes mais perigosos para quem vive nelas.

Além do impacto humano dos acidentes, os problemas nas rodovias também geram prejuízos diretos para o agronegócio. Interdições, congestionamentos e desvios podem aumentar o tempo de viagem e elevar os custos do transporte.

Segundo Rodrigo Silva, coordenador de Inteligência de Mercado Agropecuário do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), qualquer interrupção nas rotas logísticas acaba refletindo diretamente no custo do frete e no valor final da produção.

“Quando uma rodovia é bloqueada por acidente ou qualquer outro problema, o transporte fica mais caro para o produtor. Esse atraso, seja de horas ou de dias, aumenta o custo logístico”, explica.

Ele também destaca que parte da produção pode se perder durante o trajeto, especialmente no transporte de grãos em longas distâncias.

“Quem já trafegou atrás de uma carreta carregada percebe que alguns grãos vão caindo ao longo da estrada. Pode parecer pouco em uma carga de mais de 30 toneladas, mas essa perda também impacta o volume final que chega ao destino”, afirma.

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