A comparação foi feita por Alexandre Schenkel, presidente-executivo do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) durante entrevista ao podcast Agro de Primeira MT desta semana. O produtor, que também é presidente do Sindicato Rural de Campo Verde, falou sobre a perícia do piloto e as habilidades do homem do campo brasileiro.
“Na época do Ayrton Senna havia outros pilotos bons que tinham a mesma capacidade dele em condições normais. Agora, quando vinha uma dificuldade, se caía uma chuva, não tinha pra ninguém, era ele que se sobressaía”, afirma o Schenkel.
Em tempos difíceis do agro, com o preços das commodities em baixa, o produtor diz que o Brasil consegue se manter mais produtivo e viável que outros países.
Safra de algodão 2025/2026
Para a nova safra, a área plantada de algodão deve sofrer uma redução de 5,5% em relação à passada. A previsão é de 2,052 milhões de hectares, segundo o primeiro relatório da safra 2025/2026 divulgado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). O movimento reflete ajustes de produtores diante do cenário de mercado e custos de produção.
Um incentivo pago pelo governo norte-americano aos produtores de lá preocupam quanto à concorrência.
“Apesar de eles terem uma menor produtividade que a nossa, o governo norte-americano paga um subsídio aos produtores. E temos de tomar muito cuidado com isso, porque eles podem manter os preços baixos que terão recursos para compensar, enquanto, nós teremos de produzir cada vez mais barato pra manter essa nossa eficiência e sobrar um pouquinho pra sobreviver”, afirma.
No ano passado, as exportações brasileiras de algodão mantiveram desempenho expressivo. Em dezembro de 2025, o país exportou 452,5 mil toneladas, com receita de US$ 707,4 milhões. O volume embarcado foi recorde para o mês, 28,2% superior ao registrado em dezembro de 2024.
A China liderou como principal destino, respondendo por 32% do total exportado no mês. Para a safra 2025/26, a projeção das exportações é de 3,2 milhões de toneladas, alta de 13% em relação ao último ano comercial.
Mesmo assim, Alexandre Schenkel liga o alerta.
“Nos últimos dois anos, o mundo produziu muito algodão, principalmente Estados Unidos e China. Os chineses aumentaram a produção em 30% no ano passado. Com isso, os estoques estão maiores e o apetite por novas compras cai. É sinal que o mercado está bem abastecido, o que reduz o valor da commodity”, afirma.
O relatório da safra da Abrapa prevê, para julho de 2026, estoques de 835 mil toneladas no Brasil, crescimento de 65% em relação à safra anterior.
Grande parte do algodão vai para a indústria têxtil e, segundo Schenke, que também é dono de uma marca de camisas e camisetas de algodão, a crise financeira mundial afeta o consumo desse tipo de tecido, que cai em detrimento de outros mais baratos.
“Ideal é que se compre, se vista peças de algodão até pela saúde, pela qualidade de uma peça de algodão, mas não é prioridade em anos em que há uma economia mais enfraquecida mundialmente”, completa.
O episódio desta semana pode ser acessado nos canais do Agro de Primeira no YouTube ou no Spotify. Lá, também é possível, assistir a todos os bate-papos sobre vários assuntos do agronegócio de Mato Grosso.
Na semana passada, a entrevista foi sobre o uso do caroço do algodão como nutrição animal.