O presidente do Partido Verde (PV) em Mato Grosso, José Roberto Stopa, afirmou que o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, estaria evitando a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o ex-secretário municipal de Trabalho, William Leite de Campos, exonerado após denúncia de assédio sexual.
A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Política de Primeira. Segundo Stopa, o prefeito, que defendia a instalação de CPIs quando era vereador, agora adotaria postura diferente ao ser questionado sobre investigações envolvendo integrantes da própria gestão.
“Se abrir a CPI do seu ex-chefe de gabinete, vocês sabem o que vai acontecer, não vai dar coisa boa”, afirmou.
Embora não tenha citado o nome diretamente na entrevista, o contexto das críticas remete ao caso de William Leite, que deixou o cargo após denúncia registrada por uma ex-servidora municipal.
Exoneração após denúncia
A Prefeitura de Cuiabá confirmou a exoneração de William Leite de Campos no dia 6, após pedido do próprio gestor. Ele é investigado por suposto assédio sexual contra uma ex-servidora de 31 anos.
Segundo boletim de ocorrência, a mulher relatou aproximações físicas não consentidas, tentativa de beijo, convites insistentes para encontros a sós e comportamentos considerados incompatíveis com o ambiente profissional. A denúncia aponta que os fatos teriam ocorrido de forma reiterada ao longo de 2025.
A vítima afirmou ainda que não formalizou a denúncia anteriormente por receio de prejudicar familiares que ocupavam cargos na administração municipal. Após tomar conhecimento de outras acusações envolvendo o nome do então secretário, decidiu registrar a ocorrência e pediu exoneração.
A Polícia Civil confirmou que o caso será investigado.
Defesa do ex-secretário
Em nota, William Leite declarou que solicitou exoneração por motivos pessoais e afirmou que denúncias anteriores envolvendo seu nome já teriam sido analisadas pelo Ministério Público e pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), com arquivamento por ausência de fatos concretos.
Ele afirmou que a saída do cargo foi uma medida de preservação pessoal e familiar.
Outras críticas à gestão
Além da cobrança por investigação, Stopa criticou a condução administrativa da Prefeitura, afirmando que a cidade estaria “suja e maltratada”.
“O prefeito Abílio teria que sair do celular e trabalhar”, declarou.
O dirigente também acusou o prefeito de incoerência ao, segundo ele, defender CPIs no passado e agora resistir a investigações envolvendo sua gestão.
Para Stopa, a transparência deve valer independentemente de quem esteja no poder.
A reportagem deixa espaço para manifestação da Prefeitura de Cuiabá sobre as declarações feitas por Stopa.
-
Soja: chuva atrasa colheita em MT e perdas chegam a R$ 1.800 por ha
-
Beatificação de Padre Nazareno em MT terá representante oficial do Papa
-
Cão resgatado após esperar tutor morto em UPA pode ser adotado